Os dias não são sempre fáceis. A vida tem alturas complicadas. A depressão, o negro, a luz apagada ao fundo túnel, a angústia e outras similares instalam-se com facilidade. Muita. Chove. Torrencialmente. Nesses dias. Uma chuva incessante que cai naturalmente sem qualquer tipo de controlo. Nesses momentos entregar os pontos parece ser o mais fácil. Por mais que se desabafe com os que nos são mais próximos nem sempre é fácil esboçar sorrisos. Foi num desses momentos escuros e pretos da vida, enquanto desabafava com as minhas, MorangaAzamigas, que a MG do meu 💙 me sugeriu um desafio. "Blue, durante a 30 dias vais escrever, diariamente, ao fim do dia uma coisa boa que tenha te tenha acontecido. Aprender a dar graças ao que temos para reconhecermos que nem tudo é menos bom. Que há esperança. Que tudo se resolve." Aceitei o desafio. Fi-lo durante um mês. Todos os dias. E agradeci diariamente as minhas graças. Todas.
Foi um excelente exercício. Para me conhecer, para dar mais valor ao que tenho e para abrir horizontes.
Obrigada MG do meu 💙. Por tudo. Sobretudo por estares sempre aí com as restantes MorangaAzamigas.
Ou "meio ano" como tu disseste. Nem dei pelo tempo passar. Não senti os dias a sucederem-se. Uns atrás dos outros. Uns mais calmos. Outros mais tranquilos. Outros mais turbulentos. Chegaste de mansinho. Inesperadamente. Completamente inesperado. Não sei se foi o primeiro sorriso. Aberto e solto. Ou a forma natural como me deste a mão. Com segurança. Sem pressões. No meio de uma conversa natural. Enquanto continuaste a falar comigo sobre ti ou sobre mim. A conheceres-me. A dar-te a conhecer.
As voltas que a minha vida deu não têm sido fáceis. Tens sempre aquela palavra de conforto e de cuidado comigo. Entraste na minha vida com o calor de um abraço terno que abrange todas as minhas pessoas que já cá estavam. O respeito mútuo é o meu mar de tranquilidade. Fazes-nos planos e eu sorrio. Sorrio contigo. Fazes-me bem.
Meia dúzia ou "meio ano", como tu dizes, são 182 dias. 182 dias felizes.
Qualquer altura é boa para (re)começar; foi esta frase que uma Amiga me disse na passada semana. E aquilo ficou aqui a bater na minha tola Azul. A vontade de escrever está cá, presente, em grande força e não arreda pé. Mas e a preguiça? Essa grande querida tão amiga e solidária do verbo procrastinar. Juntos fazem magia e caminham lado a lado numa passada regular mais empreendedora que qualquer novo empresário do planeta e arredores. Só que esta semana já estava oficialmente marcada para um (re)começo e quem faz um, faz dois ou três ou mais. Se há vontade empurram-se a preguiça e a procrastinação para o lado, com jeitinho para não se aborrecerem e não se sentirem expulsas, e agarra-se no bom que a vida tem para avançar e fazer, até à exaustão, aquilo de que se gosta.
Hoje voltei também aos bancos da aprendizagem, aos cadernos, às folhas pautadas que anseiam por ser preenchidas, às canetas e, principalmente, ao encontro de novos conhecimentos e técnicas que só poderão dar bons resultados.
Aprender e escrever, (re)começos que, aliados às minhas pessoas, têm tudo para fazer de mim uma pessoa melhor e mais feliz.
Vamos a isto, porque é de Azul que se faz a vida. Azuis bonitos, de paz, encanto e serenidade.
Tenho saudades tuas. Muitas. Todos os dias. Não é só nos 9 de agostos, dos últimos 19 anos, e nos futuros. Ou nos 13 de junhos, dos últimos 19 anos, e futuros. Ou nos natais e páscoas e outras datas de festa. É todos os dias! Todos os dias, minha Avó. O tempo passa e a dor não diminui. Não me conformo. Acho que ninguém se conforma. Quando o telefone tocou só disseram que te tinhas sentido mal. Quando as tias chegaram ao pé de nós já não vinhas com elas.
Este ano parece que dói mais. Ou então é porque nos idos de abril voltámos a sofrer uma perda (Até Sempre, Tia Glórinha...) e as perdas daqueles de quem gostamos são sempre dolorosas. Eu sei que a receberam em festa; eu, como sabes, por motivos de saúde ainda não fiz as minhas últimas despedidas de forma a estar em paz com esta partida. O final dos idos de abril foi duro, mas as nossas estrelas, tu uma delas, não nos abandonaram completamente.
Tenho novidades para ti. Eu e os primos estamos bem. De saúde e felizes. Todos a lutar por uma vida boa e honesta e temos conseguido. Já houve um susto, mas tudo terminou bem. Há aquela eterna questão, mas olha "vai-se safando entre os pingos da chuva"; menos mal. Mas o que te quero mesmo contar é das tuas bisnetas. Só meninas, Avó, só meninas. 5! Sim, cinco! Uma mão cheia delas. Entre os 15 e o um ano temos cinco belas e amorosas meninas que nos encantam todos os dias e que sorriem como ninguém. Uma até é minha afilhada, vê lá tu. Somos cúmplices e amigas! E educadas, muito. Algumas com traços teus. Tão bom! Deixaste um belo legado. Bom demais! Já te disse que tenho saudades tuas? Ahhhh bolas, o que dói este ano. Tanto!
Tens visto as nossas reuniões? E os piqueniques? E as celebrações? Estás sempre lá; estão todos sempre lá. Não nos cansamos nunca de vos recordar.
Tenho saudades tuas, Avó! E este ano dói-me nas entranhas. Dói-me por dentro... Um dia destes vou rever a Branca de Neve e Os Sete Anões e só nós sabemos o porquê. Se calhar, chamo as primas para vermos juntas. Vai ser sempre a Nossa história.
Tenho saudades tuas, Avó! Ontem... Hoje... Para sempre...
Então vai que a pessoa resolve inventar na hora de fazer o jantar. Inventar com base em coisas que vai vendo por aí. Sendo "por aí" as inúmeras páginas de culinária que segue no fb. Vai que a pessoa fotografa o resultado final, publica no fb e no instagram e há pedidos para que dê a receita. A pessoa sente-se uma verdadeira MasterChef e resolve postar no sítio do costume. Ora vamos lá que isto é mais fácil que acordar de manhã. Garante a pessoa!
Pax: 2 (na verdade deu para 3!)
Preparação: 30 minutos (20 dos quais são de forno)
Dificuldade: Super-fácil
Ingredientes
1 tomate
1 cebola
4 ovos
2 fatias de queijo flamengo Terra Nostra -50% gordura (ou -30% gordura)
manteiga, sal, pimenta e coentros qb
Na prática
1. Liga-se o forno a 180ºC.
2. Unta-se um pírex (cujo tamanho depende da quantidade dos ingredientes usados) e reserva-se.
3. Descasca-se a cebola, lava-se e corta-se em cubos. Reserva-se
4. Lava-se o tomate e corta-se em cubos reservando.
5. Lavam-se os coentros, cortam-se pedaços e deixam-se em modo de espera.
3. Abre-se os ovos inteiros numa tigela e batem-se. Adiciona-se a cebola e o tomate em cubos. Mistura-se bem. Tempera-se com sal e pimenta a gosto e acrescentam-se os coentros. Envolve-se tudo e retificam-se os temperos.
5. Verte-se o preparado anterior no pírex. Sobrepõem-se as fatias de queijo, lado a lado) e coloca-se no forno durante 20 minutos (ou até o queijo estar derretido e os ovos cozinhados). Retira-se e está pronto a desgustar. Et voilá! :-)
*** Podem acompanhar com arroz branco e/ou salada de alface. É à escolha do freguês e/ou da freguesa.
Para memória futura e para que, mais uma vez, me lembre que existe a possibilidade de ser absolutamente feliz em tudo: o terceiro mês deste ano será sempre lembrado como "Março, o mês do quase". Quase que teve tudo de bom. Quase que foi possível, mas depois o despertador da realidade tocou e tudo voltou ao curso normal dos factos. Deverá ser possível, mas... o Universo é uma entidade atenta. Muito atenta!
Há lá coincidência melhor do que aquela que nos oferece de bandeja A música da nossa vida, ao vivo e a cores, num momento em que precisamos mesmo dela, cantada por uma voz magnífica, e quando estamos a horas de comemorar uma data importante? É capaz, mas ontem a mim não me ocorreu mais nenhuma. Ali, sentada na bancada do Pavilhão Atlântico a assistir ao regresso de Andrea Boccelli a solo luso, e na véspera de comemorar dois anos sobre o meu re-nascimento, vejo entrar a grande e enorme Ana Moura, de quem tanto gosto, e aos primeiros acordes e sons oiço a palavra Rainbow e quando penso que não pode ser verdade é então que acontece magia à minha frente e para os meus ouvidos e para toda a minha pessoa. Da voz deliciosa de uma das minhas fadistas e artista preferidas sai um Perfeito Somewhere Over The Rainbow, que me deixou inundada de esperança e alegria. Todo o concerto de Boccelli foi fantático, mas para mim o momento alto da noite saiu da voz da Ana Moura e por isso o meu muito e sincero obrigada.
Hoje é dia de festa. Faço dois anos que renasci. Contei-o aqui no ano passado e será sempre bom recordar o dia em que a minha vida deu uma volta de 180º graus para melhor. Para muito melhor. Os benefícios desta mudança estão contados e revelados e são vistos todos os dias nas mais pequenas tarefas diárias. E acho que o sorriso que mantenho e que, às vezes, é ainda mais rasgado também explica bem o que sinto nos dias que correm. Por aqui tudo continua de vento em popa. A revisão do segundo ano já começou e logo na primeira consulta, a de nutrição, trouxe dois recadinhos bem jeitosos: "As análises acusam falta de vitamina B (perguntei logo à dra se ela sabia o paradeiro do sol lol) e mais proteína, coma mais proteína, Blue". A ordem agora é: coma, Blue, coma. e eu só me ria de satisfação e alegria. Agora querem que coma, olha qu'esta vida "ralmente" é muito irónica e "defécil". Agora não consigo, senhores, que me fechasteis o estômago para menos de metade e a pessoa não tem espaço para botar a dita proteína. Sempre se foram embora quase 30 quilos de pessoa e isso é muito quilo. Muito mesmo! Corre tudo bem, que é o que importa; estou de saúde, estou de bem com a vida, uns dias mais que outros (mas faz parte - a limar algumas arestas, mas de bem. Siga o caminho, siga que tudo vai acabar bem, porque se não é bem é porque ainda não acabou. Se tiverem muita, mas muita atenção ouvem o meu "ahhhh" de surpresa logo no início. A chuva de esperança sente-se no silêncio, porque a emoção está ainda toda cá dentro. E, se bem me conheço, aqui ficará para sempre. Obrigada, querida Ana Moura.
SomeWhere Over The Rainbow - Ana Moura com Sinfonieta de Lisboa
Vi esta interpretação ao vivo. Duas vezes. Eu e a Mónica numa casa-de-banho. Ela a interpretar um texto lindo e duro. Eu, ali no meu canto, a ver e a ouvir. As palavras tocaram-me, porque podiam ter sido escritas por mim. Exatamente naquele dia em que as (ou)vi pela primeira vez. Palavras doridas de um amor sentido, eterno, mas separado. Quando revi, doeu mais; tudo se mantinha igual. Voltei a elas algum tempo depois quando chegaram à net. Neste vídeo. Regresso a elas hoje, porque a Mónica as relembrou pela manhã e eu, mais uma vez, não as deixei escapar.
Todos os dias passo os olhos por vários sites de anúncios de emprego e começo a perceber porque raio isto anda tudo tão mal e tão desarranjado. Estamos entregues a estagiários. Eu não tenho nada contra os estagiários e acho que fazem falta, claro que sim. Todos temos de começar por algum lado. Tenho contra os estágios não remunerados, mas isso não é para este post. Mas dizia eu, estamos entregues a estagiários e isso, meus Amigos Empregadores, não ajuda ninguém. Porque um estagiário que está em início de carreira não pode ser contratado para um cargo de chefia onde se pedem valências que só um profissional sénior e com anos de batente tem. Tem porque os adquiriu ao longo de anos de trabalho, experiência, erros, acertos e dedicação à sua profissão. Quando saímos dos bancos da escola, seja qual for a escolaridade, não sabemos fazer nada. Somos teóricos e precisamos de "FAZER", de aprender como se faz, de errar, algumas vezes, para acertar na maioria delas. Só se aprende fazendo e só se erra fazendo também. É necessário estarmos entregues a nós para saber sair das situações, para nos desenvecilharmos, para nos desenrascarmos, por vezes, chegando a um final de sucesso e com trabalho bem feito. o Sucesso profissional conquista-se todos os dias e é nessas conquistas que se vão ganhando competências para se chegar a cargos de chefia. Ninguém chega ao topo sem fazer um caminho sério e trabalhoso. Mas um estagiário ganha menos que um profissional ou nada, não é? Pois... é isso, então, que leva o mundo por caminhos turtuosos e tristes.
Parabéns, é o teu dia. Já o sabemos há muitos dias. Acho que começámos a ser bombardeados mal começou o ano. Sabes como é o comércio e o negócio? Mal terminou a época natalícia há que pensar em novas formas de continuar a prosperar financeiramente. Portanto, não faltam corações, ursinhos, frasezinhas supostamente fofinhas e toda uma parafernália de pirosices a entrarem-nos pelas vistas adentro todos os dias. Se te celebro? Sim, no campo da amizade e, sobretudo, no Amor que tenho pelos meus pais. Mas celebro estas dádivas diariamente, mesmo quando tu não és a celebração principal. (Desculpa tratar-te por tu e não usar o são, mas já estás tão entranhado em mim que sinto que o posso fazer sem qualquer stress).
Sabes, na verdade, nunca celebrei o teu dia com nenhum namorado. Nunca calhou, mas não é por isso que te menosprezo ou te acho um Santo menor. Dou-te a importância que dou a tantos outros e nestas coisas do Amor sou mais devota ao António, o Santo. Confunde-me, baralha-me ou sei lá qual a expressão correta a forma comercial que colocam à tua volta e isso torna esta celebração repugnante e demasiado material para mim. Eu amo os meus todos os dias e faço por mostrá-lo todos os dias. Em pequenas coisas, talvez, mas são a minha forma de demonstrar os meus sentimentos. Para mim são grandiosas e, como costumo dizer, quem não gosta bota na bordinha do prato e com jeitinho, porque se escorregar para fora a queda não dói. Já houve quem o fizesse e eu vivo bem com isso, ou melhor, aprendi a viver bem com isso. Voltando à celebrações do Valentim: nunca o fiz e também não é algo que me incomode. Vejo cada vez mais quem te celebra e não mais celebra nada no resto do ano. Ahhhh deixa estar, amar uma vez por ano não é coisa que eu entenda, perceba ou compreenda. Amar porque o calend´rio manda? O calendário não manda em mim para amar ou gostar. Cenas minhas vá.
Posto isto, lembrei-me que a minha vida sentimental é composta de uma banda sonora que marca aquelas pessoas que verdadeiramente me tocaram. Aquelas que nunca esquecerei, porque o sentimento que a elas me uniu foi especial e único. As músicas são algumas e as pessoas são poucas. Sobram dedos numa mão. As pessoas acumulam músicas, porque as associações são assim. Porque os momentos são assim.
ZZ Top - Rough Boy
Phil Collins - A Groovy Kind Of Love
R.E.M. -Losing My Religion
Nat King Cole - Let's Fall In Love
The Verve - Bitter Sweet Symphony
Frank Sinatra - I've got you under my skin
Plain White T's - Hey There Delilah
ABBA - The Winner Takes It All
E, apesar de não estar absolutamente nada para aí virada, nunca se sabe o que o futuro reserva logo deixo uma música de final aberto...
"Re" é um prefixo bom. Assim de repente lembro-me que está no início de "Recomeço" e isso, só por si, é, para mim, excelente. Os "Recomeços" são novas oportunidades, são novos caminhos. Numa fase da minha vida em que equaciono "Recomeçar" o "Re" é mais, muito mais, do que um pequeno detalhe. Ainda no mundo do "Re" há na minha vida um projeto de voluntariado, do qual faço parte, cuja filosofia muito me agrada. "Re"aproveitar é a palavra de ordem; contra o desperdício alimentar: Re-food. O conceito está todo explicado no site e é só clicar para o conhecerem melhor e quiçá juntarem-se a nós. Ajudar o próximo faz parte da minha vida desde sempre e identifico-me muito com esta organização e forma de pensar.
Ontem estava eu em pleno voluntariado quando oiço um colega dizer a uma colega que estava a chegar "de óculos?" ao que ela respondeu "de vez em quando é preciso para os olhos descansarem". Murmurei com os meus botões "olha, é ao contrário de mim que hoje vim de lentes". E lá continuei na minha vida quando, assim de repente, sinto uma cabeça a espreitar por baixo da minha encarando-me e uma voz que exclama com alegria "Não pode ser!" Olhei e, qual disco riscado, exclamei com alegria "Não pode ser!" Mas era, era mesmo! Uma colega do Liceu que não via há 20 anos. 20 anos, senhores e senhoras minhas! Demos um abraço tão apertado e sentido enquanto pulávamos de animação. Claro que nos esquecemos completamente do local onde estávamos. De repente, está toda a gente a olhar para nós e eu exclamei: "Fomos colegas de Liceu e não nos víamos há uns 20 anos!" E a Ana Luísa disse: "Eu estou aqui por tua causa!" Explicou-me mais tarde, quando terminámos o turno, que por causa de um post meu, no FB, a divulgar uma formação da Re-food ela se tinha interessado pelo projeto e se tinha juntado à equipa. Calhou eu ter mudado o dia da semana em que faço voluntariado e ter passado, justamente, para a terça, o dia em que ela vai. Já nos tínhamos contactado pelo FB, mas o encontro físico ainda não tinha acontecido. Agora acontecerá todas as semanas. E lá está foi mais um "Re", um fantástico "Reencontro" num dia que até estava a ser complicado e numa fase da vida que está a pedir "Reinícios". Ontem acabou por ser um dia bom. Muito bom! Gosto tanto, mas tanto de pessoas.
No final do meu jantar do dia de Natal o meu tm começou a dar plins ininterruptos. Uns atrás dos outros. O sinal do chat do FB não parava. Os meus amigos conhecem-me tão bem que queriam saber se eu sabia e, principalmente, como é que eu estava. Eu estava bem, muito bem até que olhei para tanta janelinha e fui ver as notícias. O Natal acabou mesmo no fim do dia que foi quando chegou a notícia. Calei-me, a família olhou para mim e eu só disse: "não pode ser: o Jorge Miguel morreu". E senti um vazio. O vazio. De quem perde alguém muito próximo. Foi o que senti. Mais que um ídolo eras da família, para mim claro.
Nem sei que te diga, na verdade. Passa hoje um mês sobre a triste notícia e eu continuo incrédula, condoída e inconsolável. Eras da família. É isso que sinto; sim, infelizmente, sei o que é perder um familiar. Eras assim uma espécie de primo mais velho. Foste a minha primeira paixão. O meu primeiro amor de adolescente. Conheci-te com o famoso "Wake me up before you go-go" que sei de trás para a frente: letra, música e teledisco. Muito pulei e dancei ao som desta canção. E de outras. E de outras. As paredes do meu quarto estavam forradas com posters teus e comprava a Bravo só para ter mais posters e guardar os artigos sobre ti e dos Wham. Não percebia patavina de alemão, mas dizia sempre que leria um dia mais tarde quando soubesse. Nunca aprendi alemão, mas muitos desses recortes ainda andam aí por casa. Discos tenho muitos e até um maxi-single. Qual? Do Different Corner, como é óbvio. Sei as canções todas e, em quase todas, encontro alguma coisa relacionada comigo. Caramba, eras mesmo o meu preferido dos internacionais. Ficam músicas. Muitas. Tantas. Momentos que me lembram que te ouvi tanto e tanto e tanto. E as DUAS vezes ao vivo??? Que sorte!!! Os concertos da minha vida, sem dúvida. E olha que vou a muitos. Bastantes! Teremos sempre Madrid e Coimbra. Serão sempre Os Nossos Momentos. Terei sempre a tua música, mas este amargo de te ver partir tão cedo com tanto ainda para dar à música não há meio de se me passar. Não há meio... Hoje a caminho do estaminé passou na rádio (m80, pois claro) o Careless Whsiper e arrepiei-me todinha. Como se fosse a primeira vez que te ouvia na vida e a frase "So I'm never gonna dance again the way I danced with you" nunca fez tanto sentido na minha mente. E é isto, um mês depois continuo incrédula, condoída e inconsolável. Como sabes nunca recuperámos da perda daqueles que mais amamos e estimamos. Nunca...
... muito, muito às vezes. Assim, um raramente, tão raramente que já está a cair no "deixa estar, não vale a pena". Dizia eu, às vezes gostava de me voltar a apaixonar, de sentir um frio pela espinha e borboletas na barriga. De ter um sorriso estúpido na cara ainda que, como sempre foi, em estradas de sentido único que isso dois sentidos comigo nunca funcionou. Ou então é porque é Natal e eu este ano não estou com qualquer espírito para a coisa e porque a única música da Mariah Carey que suporto ouvir é também a única que passa nesta altura do ano. Sim, deve ser isso...
Saudações (não apaixonadas e não natalícias) virtuais
E vou! Vou mesmo. Tenho em mim todos os sonhos do mundo. Ainda. Os meus todos. E os meus todos são muitos. São aqueles que ainda guardo comigo, porque alguns já ficaram pelo caminho da vida, e outros que foram aparecendo e que ainda pedem realização. De todos os meus sonhos, daqueles mais especiais e pelos quais luto todos os dias, sobressai um: voltar a ser feliz na minha área profissional. Sei que é possível e travo essa luta diariamente. Não descuro projetos, aceito novo desafios e vou até ao fim de cada luta que decido travar. Hei-de voltar a realizar-me. Sei que sim e não desanimo, não baixo os braços e, acima de tudo, acredito. Acredito, porque, sem falsas modéstias, trabalho muito para que assim seja e assim aconteça.
Dos restantes sonhos quero ainda viajar muito e conhecer ainda mais. Quero ver o Mundo através dos meus olhos e das minhas perspetivas. Quero saber porquês e histórias de outras gentes, conhecer tradições s culturas e passear. Passear muito debaixo de sol, ou de chuva. Como se diz por aí, esta não me afeta que eu sou feita de sol. De muito sol.
Que mais peço à vida? Que me dê os meus pais por muitos e longos anos mesmo quando nos aborrecemos uns com os outros. Porque faz parte e a concordância não pode ser sempre a 100% que torna os dias aborrecidos e monótonos. Que ainda possamos viver muitas alegrias e fazer muitos mais passeios e passar muito mais tempo juntos no nosso mundo, que baralha alguns porque provavelmente os incomoda a nossa felicidade e cumplicidade juntos. Problema deles!
O que lamento? Já não ter algumas das minhas pessoas comigo. Os meus avós, todos: a minha Eulália, o meu João e o meu Pichel. Mesmo a avó Carmelina que não conheci e gostava de ter conhecido. Os tios, os primos, os amigos, enfim... aqueles que já não podem rir comigo neste dia e partilhar as minhas aventuras e peripécias diárias.
Este ano que passou trouxe-me uma nova realidade. Estou a aprender a conhecer de perto a realidade de um Lar, porque, infelizmente, pela primeira vez na família tivémos de recorrer a um. A verdade é que nem sempre existe capacidade em casa para cuidar daqueles a quem mais amamos e as decisões difíceis e complicadas surgem na vida. Aconteceu-nos este ano e, apesar de sabermos que não poderia ter sido de outra forma, estamos a aprender a viver com este novo mundo que se nos apresentou de repente e sem aviso prévio. Devagar, devagar vamos ficando conformados. Contudo perceber que há fins que se aproximam torna a realidade tão mais dura que palavras algumas no mundo poderão algum dia explicar o que se sente.
E há a dor, a dor de saber que dediquei mais de 30 anos a uma suposta Amizade que sem nada que o fizesse adivinhar se esfumou no ar. Sem perguntas, sem respostas, sem explicações. Apenas o perceber que 30 anos de entrega, entrega verdadeira, foram pelo cano sem que tenha havido qualquer razão aparente ou motivo que o fizesse prever. Se calhar vais ler isto ou se calhar não vais. Se lere confesso-te que neste momento fica apenas a mágoa do tempo dedicado, da entrega feita, das partilhas que o não deveriam ter sido, do sentimento perdido e da surpresa de uma vida inteira. mas já só quase sobrava eu na tua vida e, provavelmente, isto era o final previsível. Se calhar... Tenho pena pela tua descendência a quem me afeiçoei de uma forma bonita e de completa entrega de sentimentos, tempo e vontade de ficar. Acabaram por se tornar seres mal-educados, prepotentes e ingratos. é o que tens e é o que formaste. Que sejam sempre felizes e digo-o de coração. Não vos desejo mal, mas espero que se encontrem e sejam sempre felizes sem pisarem ninguém.
Por mim, neste dia em particular, vou continuar a ser feliz. Ganhei no último ano e meio anos de vida, de saúde e de alegria. Tenho pessoas fantásticas com quem partilho os meus dias e vou continuar a lutar por mim, para mim, pelos meus e para eles. Família e Amigos, sempre pertinho de mim e do meu coração azul.
Todos os dias o malfadado despertador toca cedinho anunciando a alvorada. Todos, todos não, que ao sábado e domingo há ali uma breve pausa despertadeira. Dizia eu, todos os dias, úteis vá, tenho uma alvorada que chega cedo. Hoje ao acordar ouvi conversa, barulho, gargalhadas dele e dela e percebi que ainda estavam acordados em animada cavaqueira. Ainda porque não era dos miúdos ou de criançada. Do outro lado da casa (gosto de dizer assim, porque dá um ar de Palácio de Versailles à minha casa) está o quarto dos meus pais. E não há nada melhor do que ao acordar ouvir as gargalhadas sonoras do pai Blue seguidas das não menos animadas gargalhadas da mãe Blue. Não há despertador que bata, vença ou arruíne uma manhã que começa desta forma. É por causa deles que ainda acredito em finais felizes e em histórias de amor. Há 47 anos a acordarem juntos e ainda conseguem dar sonoras gargalhadas enquanto conversam a que horas do dia for
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Amo-vos tanto que não há palavras nem ações que o possam descrever.
Se estreia um filme do grande Woody Allen é certo e sabido que os meus pés, e toda a minha pessoa, se encaminham para uma sala de cinema asap. E foi o que aconteceu este fim-de-semana. O filme estreou na quinta e no sábado, pelas 19h, já eu estava sentadinha na sala 1 das Amoreiras com a minha Amiga S. E foi tudo aquilo que gosto neste realizador. Desde a narração, às interpretações, ao glamour e, obviamente, ao humor sarcástico e negro a que nos habituou. Em alguns casos até acho que poderia ter exagerado um pouco mais, mas isso sou eu que sou fã de bom humor negro. Do muito bom mesmo. Rasgo-me em gargalhadas.
Depois há a banda sonora que é para lá de boa, porque é jazz daquele que eu gosto. Há uma versão instrumental do That's Why The Lady is a Tramp, que passa de quando vez pelo filme, que é qualquer coisa de deliciosa.
Portanto, o meu Woody está a voltar a si próprio e à sua essência e isso agrada-me e muito. Que aquele Vicky, Cristina, Barcelona e aquele Match Point só serviram para me tirar do sério. E, acreditem em mim, ninguém quer que eu seja retirada do sério. Ninguém mesmo! Posto isto: ide ao cinema que não vos ireis arrepender.
Quando o lançamento do livro foi anunciado tive a sorte de ter entre as minhas maiores Amigas a sua editora que, antes do livro estar na rua, já me estava a dizer que eu ia adorar a história. Quis logo comprar e consegui ter o meu exemplar nas mãos um dia antes do lançamento oficial. Cheguei a casa e devorei a história. Amante que sou da mestra do crime, mistério e suspense, a grande Agatha Christie, esta trama não me desiludiu. Bem construída, sempre com novos elementos, a baralhar-me o suficiente para ir até ao fim à procura do mau da fita. Achei que o tinha achado algumas vezes e foi sempre a aposta ao lado. Só no quase no fim percebi quem e porque é que estava a fazer tanta maldade. Gostei muito do livro.
Mas eis que chega aquele momento que todo o bom leitor teme: vem aí o filme do livro. Nestas alturas o chão dos amantes dos livros costuma estremecer. As adaptações deixam quase sempre muito a desejar e quando gostámos muito da história tememos o pior, uma vez que uma frame apenas pode ser a morte do artista ou da obra. Estava em pulgas, portanto, para assistir ao tão aguardado filme.
Mais uma vez fui bafejada pela sorte. Pela mão de outra das minhas maiores Amigas tive o privilégio de assistir à ante-estreia. A verdade é que #euviprimeiro e que bem que me soube, porque a adaptação está bem feita e a sucessão dos acontecimentos está empolgante e bem realizada. Cheguei a pensar que as viagens de Rachel no comboio podiam ser entediantes no grande écran, mas qual quê? Nada é monótono no filme. E está tão bem feito que consegui abstrair do livro e do facto de conhecer, e bem, a história, e às duas por três já eu me questionava sobre quem seria o bandido assassino e malandro. A Emily Blunt está muito bem e, ainda sem conhecer os nomeados, acho que é uma séria candidata à estatueta dourada de Hollywood. Mas todos estão irrepreensíveis nos respetivos papéis. Quanto à realização e aos planos tiro o meu chapéu ao Tate Taylorque, além de giro e charmoso pa caraças, me fez tapar os olhos algumas vezes e assistir a uma cena de assassinato apenas comparável à do Crime no Expresso do Oriente, inspirado no livro da Mestra Agatha Chistie, daquelas mesmo a sério e fantásticas.
Resumindo e baralhando, ide ver o filme e surpreendei-vos com a história (mesmo que, como eu, já tenham lido o livro), os desempenhos e a realização. Quanto à polémica: ahhhhh o livro é em Londres e o filme em Nova Iorque? Oh meus amigos, isso são detalhes e peaners; é uma cosinha que não interessa nada numa história que absorve do primeiro ao último minuto, Aproveitem que por cá estreia no feriado, próxima quarta-feira dia 5 de outubro, e nos States só estreia a 7. ahahahahahahahahah Ganhámos esta corrida. :-)