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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

(Re)Erguendo-se para a vida


"Sabia que não era de propósito, mas a verdade é que estava a acontecer todos os dias. No dia em que a sua vida deu uma volta de 180º graus pensou que todos iam compreender as novas circunstâncias. Não compreenderam e, embora soubesse que não agiam por mal, sentia-se magoado e ofendido no seu mais profundo ser. Não podia dar passos tão grandes, não podia acompanhar aquele ritmo. A vida tinha-lhe roubado sonhos, tinha-lhe retirado o chão debaixo dos pés e estava numa fase em que começar de novo, quando deveria estar a assentar, era das tarefas mais complicadas que alguma vez tinha enfrentado. Sonhos adiados por tempo indeterminado perseguiam-no todos os dias e, às vezes, a todas as horas. Queria (re)erguer-se e os obstáculos continuavam a elevar-se. Quando pensava que as coisas iam começar a melhorar lá lhe caía mais um pedaço do mundo em cima. A derrocada total acontecia, o colapso das mais recentes, ainda que pequenas vitórias, era evidente e começar tudo de novo era, sem dúvida, o mais complicado. No meio de tudo o que mais lhe custava era aquilo que os outros não viam e logo aqueles que deveriam ver melhor, que deveriam estar mais atentos. Se ao menos os mails parassem, se ao menos pensassem o quanto certos detalhes o derrubavam ainda mais, se ao menos aquele egoísmo involuntário não acontecesse. Enfim... seria uma questão de dias até que tivesse de o dizer e esperar pelos resultados. Até lá, ia continuar a (re)erguer sonhos e a tentar encontrar o chão debaixo debaixo dos seus pés, pois só assim conseguiria continuar a caminhada para um dia voltar a sonhar e a concretizar sonhos. Um dia.... sem dúvida lá retornaria. Agora só pedia paz, muita, e sossego, muito também."

(texto guardado na gaveta há dois/três anos)

Saudações virtuais

domingo, abril 19, 2009

Invisível...

"A pergunta caiu como um murro no estômago:

-Nunca reparaste em nada de estranho entre A e B?

A resposta foi uma redonda mentira, ela já tinha reparado há muito tempo, mas tarde demais para evitar a pancada psicológica. Respondeu simplesmente:

- Já e não tenho nada a ver com isso. Importa a felicidade, não é?

Contudo o que lhe apeteceu foi gritar para que todos ouvissem:

-Nunca repararam em mim, pois não? Este tempo todo eu estive cá com sentimentos não revelados, mas cheios de vontade de serem expressos e partilhados. E vi tudo e não disse nada, porque há coisas que apenas devem ser vividas e não precisam de publicidade. Chama-se viver com naturalidade, mas isso vocês ainda não têm. Eu estive sempre aqui e esta foi a maior prova de que só agora deram por mim. Bolas, também vocês chegaram tarde demais e não só agravaram a pancada psicológica como me deram um valente pontapé no estômago.

Decidiu não deixar de aparecer, mas aparecer menos. Não curou, nem aliviou, mas sentiu-se menos invisível, porque na realidade nunca mais estaria da mesma forma."

Saudações virtuais

domingo, fevereiro 15, 2009

Sopa de Letras ou Caldeirada

P e A namoravam, mas A, apesar de gostar de P, amava T. Este dizia a todas que as amava, mas não amava nenhuma, apenas as usava. Aqui entra M, mais uma das muitas, que cai na conversa de T e acaba por aceitar casar com ele. O casamento acontece e T revela-se (ainda mais!): rodeia-se das outras em detrimento daquela que o ama e com quem decidiu construir uma vida a dois. A fica tristíssima e encontra em P o consolo de que precisa. Apercebendo-se de tudo, P tenta manter o seu grande amor com ele. O casamento de T e M não resulta e A acha que poderá ter hipóteses. Na esperança de se fazer notada, A termina a sua relação com P e estreita os laços de amizade com T. Este, que sendo esperto não é burro, aproveita a vantagem de ter uma pessoa que o idolatra e lhe faz as vontades todas, or perto e inicia aquilo que parece ser uma relação séria; contudo não despreza nunca as outras todas que vai amando, entretanto.

X, Y, Z, W, S, R, enfim... outras letras, achavam que T não tinha coragem para sair do armário e assumir a sua verdadeira sexualidade, mas isso são caracteres de outras sopas (ou peixes de outras caldeiradas).

E portanto, a vida avança para todos: P continua com M, mas larga tudo se A não ficar direita na linha de uma página; T permanece com A que o ama incondicionalmente, apesar de saber que, dificilmente, muito dificilmente terá reciprocidade.

N é amiga de todos e passou a espectadora, porque depois de muito ouvir e de tentar aconselhar foi considerada persona non grata. Continua amiga de todos, mas as outras letras deixaram de lhe falar porque não ouviram o que queriam. As letras não podem estar sempre de acordo e isso não deveria implicar relações de amizade entre elas.

Notas finais: Este texto é uma obra de ficção e fruto da minha mui grande e larga imaginação. Qualquer semelhança com pessoas, situações ou acções reais (e até mesmo irreais) é pura coincidência. Da mais pura possível.

Saudações virtuais


segunda-feira, setembro 24, 2007

Escrita criativa

O título deste post é o nome da única cadeira cujas aulas ainda não começaram. E não começaram porquê? Porque o professor (ao que consta um nome muito conhecido da nossa praça, mas cuja identidade não vou revelar) já se baldou às três aulas que deveriam ter existido. A sorte é a internet estar aqui tão disponível nesta sala imensa, o que permite fazer uns textos que até podem ser criativos. Sendo assim e colocando a minha criatividade a funcionar conto-vos uma pequena história que imaginei.

"A cena passa-se num escritório. Há uma secretária que secretaria (obviamente!!!) todos os presentes na sala. É-lhe pedida uma fotocópia de um documento. Ela argumenta que não pode tirar fotocópias para todos os 20 presentes na sala, ainda que seja uma cópia de um documento de trabalho. A pessoa que fez o pedido disponibiliza-se ela própria a dirigir-se à máquina para fazer a dita fotografia do papel e essa sugestão é aceite. Quando o documento está pronto a dita secretária liga ao interessado a avisar que pode tirar a cópia. Uma outra secretária leva o documento a quem vai tirar a cópia e acompanha o feliz contemplado que vai carregar no botão até à máquina. Assiste a todo o processo de levantar a tampa, colocar a folha, baixar a tampa, carregar no botão, esperar que a folha saia e ao retirar dos dois papelinhos da máquina: o original e a cópia. Enquanto isso a secretária vai conversando com quem está a tirar a cópia. E assim duas pessoas perderam tempo numa tarefa que uma primeira se recusou a fazer."

Tenho de começar a usar menos a imaginação, porque os meus raciocínios são muito rocambolescos não acham? Será que é com medo deles que o professor se anda a baldar?

Saudações virtuais