domingo, março 26, 2017

2 anos de Re-Nascimento

Há lá coincidência melhor do que aquela que nos oferece de bandeja A música da nossa vida, ao vivo e a cores, num momento em que precisamos mesmo dela, cantada por uma voz magnífica, e quando estamos a horas de comemorar uma data importante? É capaz, mas ontem a mim não me ocorreu mais nenhuma. Ali, sentada na bancada do Pavilhão Atlântico a assistir ao regresso de Andrea Boccelli a solo luso, e na véspera de comemorar dois anos sobre o meu re-nascimento, vejo entrar a grande e enorme Ana Moura, de quem tanto gosto, e aos primeiros acordes e sons oiço a palavra Rainbow e quando penso que não pode ser verdade é então que acontece magia à minha frente e para os meus ouvidos e para toda a minha pessoa. Da voz deliciosa de uma das minhas fadistas e artista preferidas sai um Perfeito Somewhere Over The Rainbow, que me deixou inundada de esperança e alegria. Todo o concerto de Boccelli foi fantático, mas para mim o momento alto da noite saiu da voz da Ana Moura e por isso o meu muito e sincero obrigada.
Hoje é dia de festa. Faço dois anos que renasci. Contei-o aqui no ano passado e será sempre bom recordar o dia em que a minha vida deu uma volta de 180º graus para melhor. Para muito melhor. Os benefícios desta mudança estão contados e revelados e são vistos todos os dias nas mais pequenas tarefas diárias. E acho que o sorriso que mantenho e que, às vezes, é ainda mais rasgado também explica bem o que sinto nos dias que correm. Por aqui tudo continua de vento em popa. A revisão do segundo ano já começou e logo na primeira consulta, a de nutrição, trouxe dois recadinhos bem jeitosos: "As análises acusam falta de vitamina B (perguntei logo à dra se ela sabia o paradeiro do sol lol) e mais proteína, coma mais proteína, Blue". A ordem agora é: coma, Blue, coma. e eu só me ria de satisfação e alegria. Agora querem que coma, olha qu'esta vida "ralmente" é muito irónica e "defécil".  Agora não consigo, senhores, que me fechasteis o estômago para menos de metade e a pessoa não tem espaço para botar a dita proteína. Sempre se foram embora quase 30 quilos de pessoa e isso é muito quilo. Muito mesmo! Corre tudo bem, que é o que importa; estou de saúde, estou de bem com a vida, uns dias mais que outros (mas faz parte -  a limar algumas arestas, mas de bem. Siga o caminho, siga que tudo vai acabar bem, porque se não é bem é porque ainda não acabou. 

Se tiverem muita, mas muita atenção ouvem o meu "ahhhh" de surpresa logo no início. A chuva de esperança sente-se no silêncio, porque a emoção está ainda toda cá dentro. E, se bem me conheço, aqui ficará para sempre. Obrigada, querida Ana Moura. 


SomeWhere Over The Rainbow - Ana Moura com Sinfonieta de Lisboa

Saudações magérrimas virtuais

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

"A Carta" - Peep Show

Vi esta interpretação ao vivo. Duas vezes. Eu e a Mónica numa casa-de-banho. Ela a interpretar um texto lindo e duro. Eu, ali no meu canto, a ver e a ouvir. As palavras tocaram-me, porque podiam ter sido escritas por mim. Exatamente naquele dia em que as (ou)vi pela primeira vez. Palavras doridas de um amor sentido, eterno, mas separado. Quando revi, doeu mais; tudo se mantinha igual. Voltei a elas algum tempo depois quando chegaram à net. Neste vídeo. Regresso a elas hoje, porque a Mónica as relembrou pela manhã e eu, mais uma vez, não as deixei escapar. 


PEEPshow - ep.6, "Carta" from caixanegra on Vimeo.

"Nunca deixarei de Te Amar. Mesmo sabendo que nunca ficaremos juntos. Amar-te-ei. Sempre!(...)
O Amor que fica, principalmente, apesar de tudo...
O Amor sem sonhos. E sem projetos. E sem lágrimas.(...)
Fazes-me falta. Novamente. Desde sempre.(...)
Nunca deixarás de ser especial."

Saudações Virtuais

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Ninguém nasce ensinado

Todos os dias passo os olhos por vários sites de anúncios de emprego e começo a perceber porque raio isto anda tudo tão mal e tão desarranjado. Estamos entregues a estagiários. Eu não tenho nada contra os estagiários e acho que fazem falta, claro que sim. Todos temos de começar por algum lado. Tenho contra os estágios não remunerados, mas isso não é para este post. Mas dizia eu, estamos entregues a estagiários e isso, meus Amigos Empregadores, não ajuda ninguém. Porque um estagiário que está em início de carreira não pode ser contratado para um cargo de chefia onde se pedem valências que só um profissional sénior e com anos de batente tem. Tem porque os adquiriu ao longo de anos de trabalho, experiência, erros, acertos e dedicação à sua profissão. Quando saímos dos bancos da escola, seja qual for a escolaridade, não sabemos fazer nada. Somos teóricos e precisamos de "FAZER", de aprender como se faz, de errar, algumas vezes, para acertar na maioria delas. Só se aprende fazendo e só se erra fazendo também. É necessário estarmos entregues a nós para saber sair das situações, para nos desenvecilharmos, para nos desenrascarmos, por vezes, chegando a um final de sucesso e com trabalho bem feito. o Sucesso profissional conquista-se todos os dias e é nessas conquistas que se vão ganhando competências para se chegar a cargos de chefia. Ninguém chega ao topo sem fazer um caminho sério e trabalhoso. Mas um estagiário ganha menos que um profissional ou nada, não é? Pois... é isso, então, que leva o mundo por caminhos turtuosos e tristes.

Saudações virtuais

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Valentim

Parabéns, é o teu dia. Já o sabemos há muitos dias. Acho que começámos a ser bombardeados mal começou o ano. Sabes como é o comércio e o negócio? Mal terminou a época natalícia há que pensar em novas formas de continuar a prosperar financeiramente. Portanto, não faltam corações, ursinhos, frasezinhas supostamente fofinhas e toda uma parafernália de pirosices a entrarem-nos pelas vistas adentro todos os dias. Se te celebro? Sim, no campo da amizade e, sobretudo, no Amor que tenho pelos meus pais. Mas celebro estas dádivas diariamente, mesmo quando tu não és a celebração principal. (Desculpa tratar-te por tu e não usar o são, mas já estás tão entranhado em mim que sinto que o posso fazer sem qualquer stress). 
Sabes, na verdade, nunca celebrei o teu dia com nenhum namorado. Nunca calhou, mas não é por isso que te menosprezo ou te acho um Santo menor. Dou-te a importância que dou a tantos outros e nestas coisas do Amor sou mais devota ao António, o Santo. Confunde-me, baralha-me ou sei lá qual a expressão correta a forma comercial que colocam à tua volta e isso torna esta celebração repugnante e demasiado material para mim. Eu amo os meus todos os dias e faço por mostrá-lo todos os dias. Em pequenas coisas, talvez, mas são a minha forma de demonstrar os meus sentimentos. Para mim são grandiosas e, como costumo dizer, quem não gosta bota na bordinha do prato e com jeitinho, porque se escorregar para fora a queda não dói. Já houve quem o fizesse e eu vivo bem com isso, ou melhor, aprendi a viver bem com isso. Voltando à celebrações do Valentim: nunca o fiz e também não é algo que me incomode. Vejo cada vez mais quem te celebra e não mais celebra nada no resto do ano. Ahhhh deixa estar, amar uma vez por ano não é coisa que eu entenda, perceba ou compreenda. Amar porque o calend´rio manda? O calendário não manda em mim para amar ou gostar. Cenas minhas vá.
Posto isto, lembrei-me que a minha vida sentimental é composta de uma banda sonora que marca aquelas pessoas que verdadeiramente me tocaram. Aquelas que nunca esquecerei, porque o sentimento que a elas me uniu foi especial e único. As músicas são algumas e as pessoas são poucas. Sobram dedos numa mão.  As pessoas acumulam músicas, porque as associações são assim. Porque os momentos são assim. 
ZZ Top - Rough Boy

Phil Collins - A Groovy Kind Of Love


R.E.M. - Losing My Religion
Nat King Cole - Let's Fall In Love
The Verve - Bitter Sweet Symphony
Frank Sinatra - I've got you under my skin
Plain White T's - Hey There Delilah

ABBA - The Winner Takes It All

E, apesar de não estar absolutamente nada para aí virada, nunca se sabe o que o futuro reserva logo deixo uma música de final aberto... 
Nat King Cole - When I Fall in Love

Saudações (Valentinianas) virtuais

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Dos "Re" da minha vida

"Re" é um prefixo bom. Assim de repente lembro-me que está no início de "Recomeço" e isso, só por si, é, para mim, excelente. Os "Recomeços" são novas oportunidades, são novos caminhos. Numa fase da minha vida em que equaciono "Recomeçar" o "Re" é mais, muito mais, do que um pequeno detalhe. Ainda no mundo do "Re" há na minha vida um projeto de voluntariado, do qual faço parte, cuja filosofia muito me agrada. "Re"aproveitar é a palavra de ordem; contra o desperdício alimentar: Re-food. O conceito está todo explicado no site e é só clicar para o conhecerem melhor e quiçá juntarem-se a nós. Ajudar o próximo faz parte da minha vida desde sempre e identifico-me muito com esta organização e forma de pensar.
Ontem estava eu em pleno voluntariado quando oiço um colega dizer a uma colega que estava a chegar "de óculos?" ao que ela respondeu "de vez em quando é preciso para os olhos descansarem". Murmurei com os meus botões "olha, é ao contrário de mim que hoje vim de lentes". E lá continuei na minha vida quando, assim de repente, sinto uma cabeça a espreitar por baixo da minha encarando-me e uma voz que exclama com alegria "Não pode ser!" Olhei e, qual disco riscado, exclamei com alegria "Não pode ser!" Mas era, era mesmo! Uma colega do Liceu que não via há 20 anos. 20 anos, senhores e senhoras minhas! Demos um abraço tão apertado e sentido enquanto pulávamos de animação. Claro que nos esquecemos completamente do local onde estávamos. De repente, está toda a gente a olhar para nós e eu exclamei: "Fomos colegas de Liceu e não nos víamos há uns 20 anos!" E a Ana Luísa disse: "Eu estou aqui por tua causa!" Explicou-me mais tarde, quando terminámos o turno, que por causa de um post meu, no FB, a divulgar uma formação da Re-food ela se tinha interessado pelo projeto e se tinha juntado à equipa. Calhou eu ter mudado o dia da semana em que faço voluntariado e ter passado, justamente, para a terça, o dia em que ela vai. Já nos tínhamos contactado pelo FB, mas o encontro físico ainda não tinha acontecido. Agora acontecerá todas as semanas. E lá está foi mais um "Re", um fantástico "Reencontro" num dia que até estava a ser complicado e numa fase da vida que está a pedir "Reinícios". Ontem acabou por ser um dia bom. Muito bom! Gosto tanto, mas tanto de pessoas.
Saudações virtuais

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Carta aberta ao meu Jorge Miguel

No final do meu jantar do dia de Natal o meu tm começou a dar plins ininterruptos. Uns atrás dos outros. O sinal do chat do FB não parava. Os meus amigos conhecem-me tão bem que queriam saber se eu sabia e, principalmente, como é que eu estava. Eu estava bem, muito bem até que olhei para tanta janelinha e fui ver as notícias. O Natal acabou mesmo no fim do dia que foi quando chegou a notícia. Calei-me, a família olhou para mim e eu só disse: "não pode ser: o Jorge Miguel morreu". E senti um vazio. O vazio. De quem perde alguém muito próximo. Foi o que senti. Mais que um ídolo eras da família, para mim claro. 
Nem sei que te diga, na verdade. Passa hoje um mês sobre a triste notícia e eu continuo incrédula, condoída e inconsolável. Eras da família. É isso que sinto; sim, infelizmente, sei o que é perder um familiar. Eras assim uma espécie de primo mais velho. Foste a minha primeira paixão. O meu primeiro amor de adolescente. Conheci-te com o famoso "Wake me up before you go-go" que sei de trás para a frente: letra, música e teledisco. Muito pulei e dancei ao som desta canção. E de outras. E de outras. As paredes do meu quarto estavam forradas com posters teus e comprava a Bravo só para ter mais posters e guardar os artigos sobre ti e dos Wham. Não percebia patavina de alemão, mas dizia sempre que leria um dia mais tarde quando soubesse. Nunca aprendi alemão, mas muitos desses recortes ainda andam aí por casa. Discos tenho muitos e até um maxi-single. Qual? Do Different Corner, como é óbvio. Sei as canções todas e, em quase todas, encontro alguma coisa relacionada comigo. Caramba, eras mesmo o meu preferido dos internacionais. Ficam músicas. Muitas. Tantas. Momentos que me lembram que te ouvi tanto e tanto e tanto. E as DUAS vezes ao vivo??? Que sorte!!! Os concertos da minha vida, sem dúvida. E olha que vou a muitos. Bastantes! Teremos sempre Madrid e Coimbra. Serão sempre Os Nossos Momentos. Terei sempre a tua música, mas este amargo de te ver partir tão cedo com tanto ainda para dar à música não há meio de se me passar. Não há meio... Hoje a caminho do estaminé passou na rádio (m80, pois claro) o Careless Whsiper e arrepiei-me todinha. Como se fosse a primeira vez que te ouvia na vida e a frase "So I'm never gonna dance again the way I danced with you" nunca fez tanto sentido na minha mente. E é isto, um mês depois continuo incrédula, condoída e inconsolável. Como sabes nunca recuperámos da perda daqueles que mais amamos e estimamos. Nunca...
Até sempre, meu Jorge Miguel...
Da tua,
BlueAngel (Lungu) aka LN