É o mais recente do realizador português e é também um filme intenso, com diálogos fortes e poderosos e frases marcantes que nos tocam nas entranhas e nos sentidos; que nos desarmam, que nos fazem esboçar um sorriso, que nos comovem e que nos fazem chover. Vivemos quatro dias marcantes da vida da poetisa Florbela Espanca, quatro dias que alteraram a sua vida para sempre e que nos mostram a intensidade com que vivia e como viveu sempre. A sua relação com o irmão, Apeles, talvez uma das mais incompreendidas de sempre é abordada de uma forma real, verdadeira, pura e dura. Contudo, deixa perceber tanto e de um forma tão cruel e ao mesmo tempo subtil e delicada. Será um retrato do amor no seu estado mais puro?
É um filme com sensiblidade, amor, dor, amizade; todos vividos e sentidos ao máximo como todos os sentimentos devem ser sentidos. Comovente e doloroso, mas bonito, muito bonito. Fotografia, luz, planos, interpretações, música, guarda-roupa; tudo está perfeitamente encaixado no Portugal de 1927 que em alguns pontos se parece tanto com o Portugal de 2012.
Um elenco de luxo dá vida a personagens misteriosas, loucas, espanpanantes, provocadoras, amorosas, desesperadas, amadas (ou não); Albano Jerónimo e Ivo Canelas são os homens da vida de Florbela. Florbela é Dalila Carmo que se confirma como uma atriz de excelência com um desempenho fantástico e comovente.
Há detalhes de realização sublimes e deliciosos; há o glamour do cinema e a arte de quem faz filmes de forma apaixonada porque de forma apaixonada vive o cinema e a arte de o fazer.
Estreia no próximo dia 8 de março em todo o país e é obrigatório assistir.
Estreia hoje e é a primeira longa metragem do argumentista e, agora, realizador Vicente Alves do Ó (nome a fixar). Tem uma luz extraordinária, uma fotografia fabulosa, um guarda-roupa deslumbrante, uma sonoplastia perfeita, interpretações notáveis e uma realização notável. Há muito que o cinema português merecia este respeito e esta qualidade num só filme. Quanto à história: seremos mesmo tão felizes quanto pensamos ou vivemos enganados num mundo de fausto e deslumbramento? E se um único acontecimento mudasse a vossa forma de ver e viver a vida? Não há respostas correctas, mas há sempre novas perspectivas que devemos ter em conta. A não perder num cinema perto de vocês!
"Quinze pontos na Alma" estreia finalmente nos cinemas a partir de hoje, dia 7 de Abril. Em Lisboa: Amoreiras e cinemas Alvalade. Forum Almada. Coimbra. Porto: Dolce Vita.
Eu ia escrever, mas nas minhas visitas blogueiras diárias encontrei as mesmas palavras e o mesmo sentido que queria dar às minhas letras, palavras e frases. Não hesitei, pedi-as emprestadas e deixo-as aqui. Porque, realmente, a mediania da vida é isso mesmo mediana e derrotista. Obrigada, Vicente! :-)